29 de out de 2009

Campanhas Doação de Órgãos

Bom pessoal, doar órgãos é tão importante e tão essencial, que foram criadas diversas campanhas a seu favor, trago aqui alguns vídeos que mostram algumas dessas campanhas, tentando assim mostrar a vocês o quão importante é esse ato de doar órgãos.







29 de set de 2009

Doação de órgãos: um ato de amor a serviço da Vida

O tema do transplante e da doação de órgãos é hoje um dos assuntos em debate na sociedade. Tem havido grande esforço de conscientização da população, tanto no que se refere aos aspectos médicos, quanto no que toca ao aspecto ético. Surgem inclusive associações para promover e estimular a doação de órgãos, bem como para fiscalizar a observância de critérios éticos e o cumprimento da legislação já promulgada a respeito.

A afirmação de uma cultura da vida e da solidariedade.

Do ponto de vista da fé cristã, a doação de órgãos se inscreve entre aqueles atos cujo sentido profundo é afirmar uma cultura da vida e da solidariedade. Órgãos vitais que se corromperiam em cadáver são ofertados e transferidos para salvar vidas e comunicar saúde e alegria de viver. Estabelece-se, assim, uma corrente de vida que confronta a morte, como os meios que nos são possíveis.

Ato de amor.

Quando alguém se dispõe a ofertar seus próprios órgãos, ou quando parentes autorizam a retirada de órgãos para transplante, estamos diante de ato de amor, cuja motivação é a solidariedade e o interesse de salvar e promover a vida. Um órgão corporal é sempre algo que faz parte da pessoa, mediação pela qual a personalidade espiritual se realiza e se manifesta. Não se trata de coisa simplesmente material, como se fosse objeto qualquer. Antes, trata-se de parte do corpo através da qual a dimensão espiritual do ser humano se realiza e se expressa na vida. Doar um órgão não é simplesmente doar "alguma coisa", é ofertar algo de si. Ora, estamos diante daquilo que é a expressão maior do amor, "dar a própria vida" para que outros tenham vida, Disso, o modelo acabado é a doação total de Jesus (cf. 10, 10-18).

A afirmação da "comunhão dos santos".

Outro elemento fundamental da fé cristã é a negação da "individualidade" como algo separado em relação aos demais seres humanos e do universo. É claro que somos, de algum modo, uma "coisa" ao lado de outras coisas. Nesse sentido, somos "indivíduos", com fronteiras definíveis em relação a outros elementos do universo. Mas, ao mesmo tempo, somos parte de um todo. Entre cada qual de nós e a totalidade do universo há uma profunda ligação de "parentesco" e de complementaridade. O ser humano é feito do mesmo tecido do mundo. A novidade é que em nós o mundo material toma consciência de si mesmo. Somo o mundo que sabe de si (inteligência) e é capaz de abrir-se ao diálogo (amor). Enquanto pessoas somos essencialmente relações entre nós e com a totalidade do seres. O "milagre" humano é que, mediante o corpo, estabelecemos vínculos de intimidade e de presença no próprio interior de outros seres humanos. Para a fé cristã isso é a "comunhão dos corpos", isto é, ninguém está isolado, estamos misteriosamente vinculados umas pessoas às outras e com o universo, de tal modo que formamos um único todo. A eventual presença de órgãos de alguém em outrem é inteiramente coerente com essa convicção profunda de que não há nem um ser que esteja separado dos demais. Na verdade, o universo é uma complexa e variada combinação de energia. As fronteiras entre os corpos, aparentemente tão nítidas, têm muito de ilusão. De fato, estamos todos os seres em continuidade profunda, como se o universo fosse um grande e único "corpo".

Somos o corpo de Cristo.

Por que seria estranho doar e receber órgãos se, como nos ensina o Apóstolo Paulo, somos membros uns dos outros, constituindo o único Corpo cuja cabeça é o próprio Cristo? (cf. 12, 12-27). O mundo criado, segundo o propósito divino, já foi estruturado para realizar-se como um complexo "organismo" solidário do qual todos os seres são partes integrantes, irrigadas por um misterioso dinamismo de unidade da pluralidade (cf. Cl 1, 15-19) e impulsionadas num processo que as dirige à consumação dessa mesma unidade, conforme nos ensina a Carta aos Romanos cap. 8, 18-25.

Sinal da Ressurreição.

Finalmente, Ressurreição não é a simples sobrevivência eterna de um "eu" individual, mas a consumação da perfeita unidade e comunhão, e não só dos seres humanos, mas de todo o conjunto do universo, de acordo com a doutrina paulina. Revelar-se-á em nós claramente o que agora ainda é latente: que participamos do próprio dinamismo íntimo de Deus, conforme nos ensina a primeira Carta de Apóstolo João (cf.1Jo 3, 1-2). Ora, o mistério de Deus Triuno consiste nisto: a pluralidade em perfeita e consumada unidade. Doar órgãos, passar a viver como parte do corpo de outrem, não seria um pequeno sinal desse dinamismo profundo que nos habita?

Critérios de ética médica.

Portanto, do lado de quem doa, ofertar órgãos para transplante é um dos gestos de mais alta expressão ética, pois é gesto de amor e de afirmação do valor da vida. Mas não basta doar, faz parte de nosso dever de cidadania zelar para que critérios de ética médica sejam preservados: qualquer órgão só pode ser retirado de alguém se o próprio doador o consentir, ou, em caso de morte, se parentes ou pessoas responsáveis derem claro consentimento; a doação tem de ser gratuita, a própria palavra o diz, não podendo ser degradada a transação comercial, pois, além de não se tratar de mercadoria, isso poderia ter terríveis conseqüências, como se pode verificar no comércio clandestino de órgãos, alimentado inclusive pelo assassinato deliberado até de crianças; a escolha das pessoas receptoras tem de obedecer a critérios objetivos, sendo prioritários a necessidade, o grave risco de vida e a posição na "lista de espera", do contrário, se cairia facilmente na malha de sistema de privilégios, inclusive financeiro; para a retirada de órgãos é preciso que seja confirmada a morte da pessoa doadora, de acordo com os parâmetros estabelecidos pela ciência médica - atualmente, a morte encefálica.